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O Carnaval em Que Me Escolhi
Nem todo Carnaval é barulho.
Alguns são silêncio quente, pele atenta, desejo que desperta sem pedir licença.
Este conto é sobre uma mulher madura, consciente do próprio corpo, que escolhe a si mesma e escolhe sentir. Não há culpa, nem promessa, nem pressa. Há prazer vivido com presença, liberdade e verdade.
Leia devagar.
Este texto não foi feito para ser consumido rápido.
Foi feito para ser sentido.
O Carnaval em Que Me Escolhi
Ela escolheu o Carnaval justamente porque ninguém faria perguntas. Enquanto o mundo vestia fantasia, ela queria despir camadas. Passara dos cinquenta com a lucidez de quem não devia mais nada a ninguém. O casamento tinha ficado para trás, e ela estava inteira. O que carregava era apenas o cansaço de ruídos, de expectativas alheias, de versões antigas de si mesma.
Bonito a recebeu como quem entende silêncio. Verde úmido, ar morno, água que parecia tocar os sentidos antes mesmo do corpo. Ela precisava estar longe de rostos conhecidos porque, pela primeira vez em muito tempo, queria se reconhecer sem interferência. Estar só não era solidão. Era escolha consciente.

No quarto, a banheira virou ritual. Água quente, vapor envolvendo a pele, óleo escorrendo lentamente pelos ombros. Os olhos se fecharam sem esforço. O toque começou atento, seguro, sem pressa. Os mamilos reagiram primeiro, enrijecidos pelo contraste do ar e pelo desejo que já morava ali. A respiração aprofundou. O corpo lembrava. As pernas tremeram de leve, a pele se arrepiou inteira. O prazer cresceu por dentro, denso, contínuo, sem culpa e sem urgência. Quando veio, veio inteiro. Silencioso, intenso. Era dela.

Saiu depois com o corpo ainda pulsando, como quem carrega um segredo sob a roupa. No bar, a luz era baixa e o ar quente. Pediu um drink sem pensar. Foi quando sentiu o olhar antes mesmo de vê-lo. Moreno, mais jovem, traços fortes, presença firme. Quando ele se aproximou, a mão segura na cintura dela foi direta. Sem pedido. Sem ensaio.
Os corpos se reconheceram rápido. Beijos lentos, quentes, a pele já levemente suada. A boca dele desceu até o pescoço e demorou ali; os lábios carnudos a saboreavam com atenção. Um arrepio subiu pelas costas. Não havia pressa, só tesão acumulado. Ela se aproximou mais, colou a boca no ouvido dele e sussurrou, com voz baixa, firme, sem hesitar:
– Quero você inteiro em mim esta noite. Sem pressa. Sem promessas.
Ele respirou fundo. Não respondeu. Entendeu.

No quarto do hotel, a porta mal se fechou e o silêncio virou respiração misturada. Roupas largadas sem cuidado. Pele quente contra pele quente. Ele a beijou ali mesmo, em pé, tirou a calcinha dela e a saboreou com atenção às reações do corpo que se oferecia. A boca percorreu a barriga, subiu devagar. Quando os mamilos dela encontraram a boca dele, já duros de tesão, as línguas quentes e molhadas se encontraram em seguida. Os beijos arrancaram um gemido que nenhum dos dois conteve. Os corpos tremiam, arrepiavam, pediam continuidade.
Quando se uniram, foi firme, profundo e lento. Um encaixe construído no tempo certo. Ele presente, seguro. Ela aberta, consciente. O prazer veio intenso, fazendo o ventre contrair, a respiração perder o compasso, o corpo se entregar sem reservas. A diferença de idade não existia ali. O que existia era desejo vivo, atual, pulsante.
Os dias seguintes foram assim. Lençóis desarrumados, pele colada, sexo quente e risadas baixas depois do gozo. Sem promessa, mas com presença. Um encontro que não precisava durar para ser verdadeiro.

No fim do Carnaval, ela fez as malas sem pressa. No avião, olhando a paisagem se afastar, sorriu sozinha. Voltava para a própria vida sabendo algo essencial: o prazer ainda morava nela. E ela sabia exatamente onde encontrá-lo.
By Nubia Belli
